Diretora do HRTM está afastada por apresentar sintomas da Covid-19 e espera resultado

A informação foi confirmada por ela própria ao DE FATO. Herbênia Ferreira disse que começou a apresentar os sintomas na terça passada. A diretora disse que fez o exame e espera o resultado. Ela disse que não tem mais nenhum sintoma

Diretora do HRTM está afastada por apresentar sintomas da Covid-19 e espera resultado
Crédito da foto: Arquivo/A diretora do HRTM, Herbênia Ferreira, apresentou sintomas da Covid-19 e fez exame. Ela aguarda resultado

O Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sindsaúde), regional de Mossoró, publicou nesta segunda-feira, 6, que pelo menos dez profissionais do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) foram afastados do trabalho nas últimas semanas por suspeita de coronavírus. De acordo com o órgão, o número se refere tanto a casos suspeitos quanto a casos confirmados.

A reportagem entrou em contato com a diretora da unidade, Herbênia Ferreira, sobre a informação trazida pelo Sindsaúde. Herbênia confirmou a veracidade da informação ao DE FATO.COM disse ainda que uma destas pessoas afastadas do trabalho é justamente ela.

““Sim (confirmando a informação). Temos alguns servidores e inclusive eu, a diretora do hospital. Estou afastada, em isolamento domiciliar aguardando o resultado dos exames. Eu estou bem e outros servidores também, algumas enfermeiras”, disse.

A diretora do HRTM explicou que começou a sentir os sintomas na terça-feira passada e que fez o exame e aguarda o resultado, mas frisa que não tem mais nenhum sintoma.

“Eu pelo menos tive os sintomas. Começou terça-feira da semana passada. Ontem (domingo) fiz uma tomografia que não mostrou imagens compatíveis com covid, mas eu fui orientada pelo médico para fazer o teste. Hoje foi colhido e permaneço em quarentena, em isolamento domiciliar esperando só o resultado do exame, mas não tenho nenhum sintoma. Nem tosse, nada. Mas só posso sair do isolamento quando receber o resultado do exame”, emendou.

Herbênia Ferreira disse ainda que duas enfermeiras do hospital testaram positivo para o coronavírus. Ela falou que uma delas já cumpriu o período de quarentena e já até voltou a trabalhar. A outra está internada e passa bem.

“Duas enfermeiras já receberam resultado positivo para covid-19. Elas estão bem. Estão ainda em quarentena, porém, já sem apresentar sintomas. Uma delas já saiu da quarentena e já voltou a trabalhar hoje e uma enfermeira ainda permanece internada. Nenhuma em estado grave”, disse.

Ainda em sua denúncia, o Sindsaúde lembra que desde o final do mês passado, “foi amplamente denunciado o fluxo irregular de atendimentos de Coronavírus no Tarcísio Maia, colocando em risco vidas de profissionais e pacientes em um hospital que não é pensado para atender pacientes com doenças infecto-contagiosas e com um quantitativo de EPIs limitado”.

O órgão lembra ainda que após a denúncia, a direção do Hospital Rafael Fernandes se posicionou frente ao seu papel em combater o novo Coronavírus, e o governo acelerou as obras para entregar uma ampliação de 21 leitos de UTIs no hospital, além da chegada de EPIS na unidade - o que resolve apenas parcialmente o problema. “Conforme foi avisado, os profissionais agora estão adoecendo”, lamenta o sindicato.

O Sindsaúde destaca que profissionais do Hospital Tarcísio Maia estão a serviço da população para combater a pandemia, ainda que em condições longe das ideais e que “o governo judicializou e negou o pedido de afastamento de centenas de profissionais que se enquadram em grupos de risco do novo Coronavírus, apesar de ter aberto essa mesma possibilidade através da Portaria SEI nº 758, de 18 de março de 2020”.

“Sem direito de se afastar mesmo com suas vidas em grande risco, são servidores e servidores que sofrem com meses de salário atrasado, muitos deles sem direito à insalubridade. Não podemos deixar de apontar a recente decisão polêmica do governo de não pagar mais os plantões extras no mês trabalhado, afetando ainda mais a condição financeira da categoria - decisão essa ao qual o sindicato se opõe. É necessário valorizar o serviço da categoria de profissionais da saúde, que está adoecendo para servir ao povo. Defendemos insalubridade de 40% para todos e todas que estão na linha de frente contra o Covid-19, bem como o reestabelecimento da insalubridade para aposentadas e aposentados. Defendemos a valorização do trabalho da enfermagem, pagamento dos salários atrasados, por EPIs seguros e em nível suficiente, e pelo restabelecimento do direito ao afastamento dos grupos de risco”, encerra o sindicato.

Leitos de UTI

Herbênia Ferreira também confirmou a reportagem que os leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados para os pacientes com Covid-19 deverá ser ocupado ainda na noite desta segunda-feira, 6.

“O pessoal da Sesap estar aqui no hospital e estamos ainda fazendo os últimos arremates e alguns ajustes, instalando alguns equipamentos, mas eu acredito que até o final da noite já começa a receber pacientes que estejam graves e entubados”, finalizou.

DEFATO.COM