Febre das reformas em casa amplia faturamento do setor de construção

Febre das reformas em casa amplia faturamento do setor de construção
FOTO: WEB

Barulho de furadeira. Eco do martelo. Aquele zunido durante o corte da cerâmica. Comentários sobre o barulho e efeitos diversos da reforma do vizinho –e às vezes da própria casa– são temas recorrentes na pandemia.

demanda por pequenas reformas e reparos ganhou força durante o isolamento social e chegou até a contribuir para movimentar a economia e ajudar marginalmente a segurar parte das perdas do setor de construção civil.

O movimento foi no estilo obra formiguinha, jargão do setor para definir pequenos reparos por conta própria ou com a contratação de pequenas empreiteiras e profissionais autônomos.

O ICVA, indicador de varejo da Cielo, dá uma ideia do impulso setor: só na semana de 19 a 25 de julho, o faturamento do setor de materiais de construção subiu 33,1% —o único entre os segmentos de bens duráveis a ter alta no período.

No varejo total medido pelo índice no acumulado de 1º de março a 25 de julho, o faturamento de materiais de construção também foi o segundo que mais cresceu, com aumento de 5,5%. Perdeu apenas para o setor de super e hipermercados, que cresceu 16,1%.

Segundo a coordenadora de projetos da construção do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), Ana Maria Castelo, a tendência de alta acompanhou tanto a adaptação das empresas para realização de trabalho remoto.

“Durante a quarentena, as pessoas se deram conta que precisavam fazer reparos ou reformas na casa e que estavam sendo proteladas, o que impulsionou o setor”, diz ela.

O presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), Geraldo Defalco, afirma que também pesou a favor do setor o auxílio emergencial, que contribuiu com a renda. Segundo ele, a venda de materiais cresceu pelo menos 40% na pandemia.

“É um volume acima do normal. As pessoas tinham a preocupação de levar um profissional para dentro de casa por medo do coronavírus e as vendas, principalmente do segmento ‘faça você mesmo’, acabaram ganhando espaço”, afirma.

O isolamento social também trouxe uma mudança no perfil das vendas do setor. Executivos de lojas como Leroy Merlin, Telhanorte e Suvinil afirmam que além de registrarem uma maior demanda por parte do cliente final, notaram vendas mais pontuais ou em quantidades menores.

FOLHAPRESS