'Não sei sequer se o futebol termina esse ano': presidente detalha plano de crise no Grêmio

'Não sei sequer se o futebol termina esse ano': presidente detalha plano de crise no Grêmio
Crédito da imagem: Lucas Uebel/Grêmio FBPA
FOX Sports

Com todo futebol mundial praticamente paralisado em razão da pandemia do COVID-19, confirmada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), os clubes se movimentam em busca de soluções para o caixa durante a pausa no calendário. Em entrevista ao Debate Final, do FOX Sports, Romildo Bolzan Jr, presidente do Grêmio, detalhou o plano de crise traçado pelo Imortal para os próximos três meses, prevendo alguma dificuldade.

“O Grêmio vai conseguir cumprir no mês de março sua folha salarial, cumprir com as suas obrigações. Vamos ver as questões tributárias, as questões de impostos. Mas tudo isso é uma projeção que estamos trabalhando para abril, maio e junho, três meses, onde estamos projetando uma queda de arrecadação de R$ 20 a 25 milhões. Ou seja, deixarão de entrar no clube recursos dessa ordem. E isso evidentemente vai impactar de maneira importantíssima”, disse o presidente.

“Nós estamos trabalhando na ideia de não apenas reduzir custeios, mas também ver essa onda nacional que vai surgir. Vão ter que readequar os contratos, readequar os prazos de pagamento de tributos, isso vamos negociar com nossos fornecedores, nós vamos renegociar a questão no que diz respeito a todo um contexto de despesas com o próprio quadro. Não é uma questão tão simples assim. O Grêmio sabe nesse momento que vai ter que negociar contratos, fazer todo um processo de readequação nesses próximos três meses. Mesmo tendo a previsão de cobrir isso no segundo semestre”, afirmou Romildo ao FOX Sports, revelando que conta com o apoio de mais áreas neste momento.

“Espero sinceramente que esse movimento surja de uma maneira espontânea, que todos que a consciência, inclusive a entidade de organização do futebol brasileiro, o próprio Governo Federal, todos aqueles que estão envolvidos no crédito e débito dos clubes que esse momento será de renegociação absoluta para sobrevivermos”, disse.

De acordo com o presidente do Grêmio, boa parte dos problemas de arrecadação no clube passarão pela falta de jogos em Porto Alegre nos próximos meses. Além de não ter partidas pela Conmebol Libertadores no âmbito internacional, o Imortal não terá duelos pelo Campeonato Gaúcho e Campeonato Brasileiro.

“Estamos com esse déficit, e creio que nosso quadro social vai reduzir na ordem dos R$ 3 milhões aproximadamente até o mês de junho. A grande conta do quadro social é justamente assistir a um jogo, com o pagamento da mensalidade. Nosso varejo, nossas lojas vão diminuir [vendas] na casa dos R$ 3 milhões. Nós não vamos ter as receitas da Libertadores. Nós temos dois jogos em casa. Possivelmente não vamos ter as receitas do Campeonato Gaúcho. Temos parcelas a receber. E possivelmente não teremos as primeiras parcelas do Campeonato Brasileiro. Não temos a segurança disso tudo. Ou seja: o cenário é caótico do que vem pela frente. Quem não tiver crédito, e quem não tiver crédito para socorrer aos bancos para manter suas obrigações vai ter extrema dificuldade de sobreviver nesse período”, afirmou Bolzan.

Questionado por Mauro Naves, comentarista dos canais FOX Sports, se a venda de jogadores neste momento poderia ser uma maneira eficaz de diminuir os prejuízos, Romildo Bolzan Jr lembrou que a Europa, principal centro comprador do futebol, não está livre da crise do coronavírus, e que não há garantias de que o calendário 2020 seja retomado.

 

“Essa questão seria a mais simples para ser debatida. Mas essa mesma crise que nós estamos vivendo aqui, é muito mais aguçada na Europa. Vamos vender para a Inglaterra? A Inglaterra também está com problemas. Para a Itália? Tem problemas. Para a Espanha? Tem problemas. Eu não sei como se comportará o futebol europeu nesse período, então não posso contar com essa receita. Não sei nem se calendários do futebol brasileiro e europeu serão mantidos. Não sei nem sequer se o futebol termina esse ano, por conta de todos os atrasos que vão acontecer nos campeonatos. Seria extremamente temerário contar com esse recurso, embora se conte, sim. Se tiver situação de negócio, vamos ter que exercitar isso. O Grêmio tem uma previsão orçamentária de receita que parte da venda dos direitos econômicos dos jogadores. Já realizamos uma parte esse ano, e vamos ter que realizar mais um tanto”, disse.

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